
Em fevereiro de 2015, a Mac Móveis anunciava a coleção qubo como parte da celebração de seus 35 anos. Sob a curadoria da EM2 Design, a proposta reunia diferentes vozes do design brasileiro e abria novas possibilidades para o mobiliário outdoor. A experiência de produção da Mac encontrava uma pesquisa de formas, usos e modos de viver, com a autoria no centro dessa conversa.
A ideia vinha sendo construída antes desse anúncio. Já em 2014, os primeiros materiais da qubo apresentavam a missão de “Fomentar encontros”. Design, Urbano, Social e Arte eram os campos de aproximação. Havia espaço para a diversidade de repertórios, a experimentação e o diálogo entre pessoas. A coleção de 2015 dava expressão a esse pensamento por meio de objetos e das histórias de quem os desenhava.
Mariana Betting Ferrarezi e Roberto Hercowitz, da EM2 Design, participaram dessa etapa como curadores e autores. Ao lado de suas criações, o booklet daquele ano reuniu trabalhos de Rahyja Afrange, Estúdio Ninho, Cláudia Mazzieri, Pepê Lima, Sérgio Matos, Ronald Scliar e Brunno Jahara. A assinatura “QUBO by Mac” registrava a origem compartilhada, enquanto cada designer contribuía com uma maneira própria de observar e transformar o cotidiano.
Entre as propostas da EM2, a Transformer explorava a possibilidade de um móvel assumir configurações de poltrona, cadeira e banqueta. Na linha Arco, a repetição de elementos organizava o desenho. Eram caminhos distintos para investigar a relação entre forma e uso. O repertório da coleção também aproximava gestos artesanais e processos industriais, tornando visível o encontro entre o pensamento do designer e os conhecimentos de quem produz.
O próprio booklet valorizava essa dimensão humana. Retratos e biografias apresentavam os autores antes de suas peças. Fotografias de ambientes e detalhes convidavam a observar proporções, texturas e a presença dos móveis no espaço. O objeto aparecia acompanhado de seu contexto: uma ideia, uma pesquisa e uma maneira de fazer.
Ao revisitar esse acervo em 2026, podemos reconhecer as bases de uma vocação colecionável. É uma leitura de hoje sobre a singularidade dos desenhos, a autoria e as relações que construímos com aquilo que escolhemos para viver. Peças capazes de despertar interesse pelo que expressam e de permanecer na memória por sua identidade.
Onze anos depois daquele anúncio, a coleção de 2015 oferece um ponto de partida para conhecer a qubo. Em suas páginas, o desejo de fomentar encontros já encontrava forma: entre designers, materiais, saberes e pessoas. Uma história que continua a inspirar o olhar sobre o mobiliário e seus significados.